30/04/2009
"O interesse excessivo pelo lucro nos faz esquecer outras prioridades"
O navegador falou de seus erros e acertos, durante reunião do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp.
Kacy Lin, Agência Indusnet Fiesp



Em 1984, quando decidiu realizar sua primeira travessia pelo Atlântico Sul a remo, Amyr Klink ainda não sabia o quanto significaria aquela viagem. Sozinho num barco construído por ele mesmo, Klink descobriu que ao concluir o percurso ficaria mais feliz com seu término do que com a própria experiência.

"Descobri que o grande legado dessa experiência não era o sucesso, mas sim, a sucessão de erros que havia estudado antes de iniciá-la", reconheceu o navegador a cerca de 150 jovens empreendedores presentes à reunião mensal do CJE da Fiesp, nesta quarta-feira (29), na sede da entidade.

O navegador atribui sua trajetória ao sucesso conquistado. "Não adianta ser um excelente gestor. Tem que conhecer o processo por completo", disse.

Klink apontou a ambição pelo lucro dos empreendedores como principal responsável pelo fracasso de projetos desafiadores e inéditos: "Eu sei que a maioria de vocês não concorda, mas eu questiono muito o excesso de preocupação pelo lucro acima dos objetivos de se criar algo de risco".

O navegador contou que foi muito criticado quando decidiu montar um estaleiro em Itapevi, no interior de São Paulo, a 140 km do mar. Mesmo assim, insistiu num sonho que o levaria à construção de "um barco de baixo custo, com melhor desenvolvimento tecnológico e máxima confiabilidade".


Força tarefa

Ao perceber que teria um grande obstáculo, como a falta de mão de obra, Klink montou uma escola para capacitação profissional de soldadores na região. "Foi um processo difícil e demorado, mas dez anos depois a gente tinha um dos melhores corpos de soldadores do mundo, conhecidos na Austrália, nos lugares de excelência em soldagem de alumínio", explicou.

Segundo ele, o fato de não abrir mão do seu objetivo nas dificuldades foi o que garantiria a subsistência futura do seu negócio. "Quando terminamos nossos primeiros barcos, tínhamos uma qualidade de trabalho que a França não tinha", ressaltou.

"Os soldadores naquele país terminam seu expediente mais cedo, enquanto os nossos, moradores de rua, da favela, idosos, alcoólatras, veem nele uma chance de mudar de vida", concluiu.

Formação

Amyr Klink é economista e administrador, formado pela USP. Com diversas travessias pela Antártica, algumas solitárias, é autor dos livros "Cem Dias entre Céu e Mar", "Paratii Entre Dois Polos", "As Janelas do Paratii", "Mar Sem Fim" e "Linha DÁgua".

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Comentários


pierre
19/06/2009 17:07:03

Ótima palestra



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