01/07/2010
"Nada substitui o relacionamento entre pessoas", diz Benjamin Steinbruch
Presidente em exercício da Fiesp falou de sua experiência profissional durante palestra em reunião ordinária do Comitê dos Jovens Empreendedores (CJE)
Agência Indusnet Fiesp



Filho de um gaúcho e de uma carioca, o empresário Benjamin Steinbruch foi criado em um pequeno núcleo familiar que vivia do setor têxtil. Com 16 anos, seu pai migrou do Rio Grande do Sul para São Paulo, onde começou sua vida profissional como vendedor de tecidos, numa época em que todos os fabricantes estavam no Rio de Janeiro.

Algum tempo depois, ele também se tornou fabricante, na pequena Têxtil Elizabeth com apenas 14 teares manuais, localizada na cidade de São Roque. Assim começava a trajetória empresarial de seu pai que seria herdada pelo então menino Benjamin.

O garoto, que atualmente ocupa o cargo de presidente da Fiesp, lembra que a bravura e a coragem empresarial sempre foram marca do seu pai, além de um grande exemplo a ser seguido. "Ele saía para vender de porta em porta. E assim, crescia a Têxtil Elizabeth", contou Steinbruch durante encontro do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, nesta quarta-feira (30).

Segundo ele, o grande salto nos negócios se deu com a chegada de uma novidade marcante ao mercado de tecidos.

"As fibras sintéticas, como nylon e poliéster, materiais que garantiam maior durabilidade e não amassavam com tanta facilidade, foram o grande diferencial na época. Quem continuou na produção tradicional e não acreditou na modernidade se deu mal", contou.

Dentre as lições deixadas por seu pai e mentor, Benjamin cita a humildade, inteligência e solidariedade como fórmula para o sucesso.

"O coletivo deve sempre estar acima do interesse individual. Quem prioriza o coletivo logo se destaca no individual. Devemos ser duros nas negociações, mas também temos que preservar a relação com as pessoas", disse.

Transição

Entre os principais desafios e conquistas, o empresário citou a formação do consórcio para a compra da estatal Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), negócio considerado azarão pelo mercado.

"Durante o governo do presidente Itamar Franco, num período de privatizações, tinha um patinho feio no processo, que era a CSN. Ela perdia nessa época um milhão de dólares por dia e não tinha nem condições de ser privatizada tamanha a desorganização que se encontrava", lembrou.

Entretanto, para Steinbruch é importante lembrar que a reestruturação da CSN e a aquisição da Vale do Rio Doce foram grandes batalhas vencidas. Por outro lado, ele também contalibiza perdas em processos concorrenciais, como as "brigas" pela Light, Eletropaulo e ferrovias.

Dica

O dirigente destacou que aquelas empresas que concentram seus negócios em poucos clientes têm mais chances de quebrar com a chegada de crises de mercados.

"Sempre digo que é melhor tomar o caminho mais longo e mais trabalhoso, pois os resultados são de maior garantia e confiabilidade no relacionamento. O lado pessoal deve sempre prevalecer em relação à parte numérica e técnica. Mais vale ter mil clientes pequenos do que dez grandes", completou.

"Nada substitui o relacionamento entre pessoas. Nessas crises todas, por quem nós fomos salvos? Por pessoas que em algum momento salvamos", explicou.

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